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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Jovens escolhem a bolsa de valores para investirem o seu dinheiro

O novo público da bolsa de valores


Há 10 anos, investir na bolsa de valores era para quem realmente tinha uma grande quantia de dinheiro. Somente grandes empresários estavam dispostos a arriscar em ações. Porém
, atualmente, estudantes, pequenos empresários, profissionais liberais e outros profissionais, sem formação específica na área, já estão acompanhando o "sobe-e-desce" das ações.

Hoje, nas bolsas de valores são negociados títulos emitidos por empresas com capitais públicos, mistos ou privados. Estas ações são títulos que representam pequenas parcelas de uma empresa. Neste caso, o comprador torna-se um pouco dono e passa a ter direito aos lucros obtidos. Mas, essa porcentagem é bem baixa, portanto o comprador não pode ter o direito de opinar nas questões da empresa.

Os jovens em todo o mundo nascidos entre 1980 e 1999 constituem a denominada geração Y. Esta é a primeira geração que se sente totalmente confortável com a tecnologia. Com a popularização da bolsa de valores, e a facilidade de investir, os jovens, pouco a pouco, estão desmistificando este tipo de investimento.

Há três anos o estudante de economia Leonardo Recamonde da Rocha, 23 anos, atua no mercado de ações, e conheceu a bolsa de valores através de seu pai, porém só decidiu investir depois de obter mais conhecimentos. Para ele a bolsa é a melhor opção para investimentos. “Em 2004 fui apresentado ao mercado, mas não dei muita bola por que era muito novo. Percebi que é capaz de gerar ganhos ilimitados, diferente da medicina que era o que eu queria fazer antes de entrar na faculdade de economia.”, relata o estudante.

Segundo dados da BM&FBovespa, no passado, o público que mais cresceu na Bolsa de Valores de São Paulo foi o de jovens entre 18 e 25 anos. Enquanto o número total de pessoas registradas no mercado de ações brasileiro subiu 10%, o público jovem saltou 20%, passando a 36,7 mil. No site da BM&FBovespa o possível investidor terá maiores informações e instruções passo a passo de como investir na bolsa até ao rumo da sua conquista.

“O jovem investidor tem que ter muita paciência para investir na bolsa de valores, pois é uma aplicação que o resultado aparecerá a longo prazo” afirma o economista e professor da Pontifícia Universidade Católica, Celso Pudwel. O professor ainda aconselha aos jovens investidores a investirem no Tesouro Direto.” Com 100 reais é possível iniciar uma aplicação em um título público e ainda acompanhar as transações pela internet, ou seja, é fácil, com baixo custo e alta rentabilidade”, destaca o economista.

E de um objetivo passou para uma conquista. O professor de inglês Jonathan Guilherme da Silva, 29 anos, passou uma temporada de 6 meses na Europa no ano passado por conta de seus investimentos em ações. Jonathan não fez nenhum curso para investir na bolsa, no entanto leu muito a respeito sobre o mercado de ações. Ele tinha um objetivo a cumprir: ganhar dinheiro fácil e viajar. “Comecei a investir sabendo dos riscos que corria, mas mesmo assim apliquei. Em 2004 o mercado estava favorável e comecei investindo em torno de R$ 1.200,00.” lembra o professor, que na época era estudante.

Engana-se quem pensa que o professor de inglês ficava controlando os indicadores todos os dias. “Eu investi na Petrobras e na Vale, então semanalmente eu dava uma olhada como estava a aplicação, conforme o meu feeling eu verificava, deixava correr”, diz o jovem investidor. Quanto ao retorno do investimento para então embarcar para a sua tão esperada viagem demorou cerca de três anos. “Meu retorno demorou, mas tive paciência, pois com o dinheiro que eu conquistei eu viajei por vários países da Europa.” recorda o professor que está esperando o momento certo para investir novamente na bolsa.

Para o jovem gerente da TBCS Investimentos, Bernardo Reckziegel, 25 anos e também investidor na bolsa, as perspectivas de retorno da aplicação é elevado, porém ao longo prazo, e com uma ilimitada possibilidade de estratégias. “Não existe valor mínimo para ivestir na bolsa, mas dependendo dos valores que você tem disponível os investimentos recomendados seriam diferentes devido aos custos”, opina Reckziegel.

Corretoras que podem ajudar você a investir:

XP Corretor

http://www.xpi.com.br/

SOLIDUS S.A.

http://www.solidus.com.br/

Geração Futuro

https://www.gerafuturo.com.br/

Geral Investimentos

http://www.geralinvestimentos.com.br/pagina-inicial/

Atuivos Investimentos

http://www.attivoinvestimentos.com.br/

Sites para começar a pensar em investir:

http://www.bmfbovespa.com.br/

http://www.tesouro.fazenda.gov.br

http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/consulta_titulos/consultatitulos.asp

sábado, 4 de dezembro de 2010

Almoço por R$ 1,00

Foto: Emmanuel Denauí

Desde 2005, Porto Alegre possui um Restaurante Popular, que é administrado pelo Estado e pelo Centro Social e Cultural Evangélico Bethel de Pelotas. E há três anos, existe o Prato Popular, Sistema Coca-Cola Brasil, mantido com os recursos administrados pela empresa Vonpar Alimentos, em parceria com a Puras Refeições. E ambos servem o almoço por apenas R$ 1,00.

Segundo a chefe de divisão da Secretaria da Justiça e Desenvolvimento Social (SJDS), Simone Matos dos Reis, mais de mil refeições são servidas diariamente no Restaurante Popular, através do programa Restaurantes Populares, implantados nos municípios com mais de 100 mil habitantes, por meio de cooperação entre o Governo Federal, o Distrito Federal e os governos locais.

Conforme a supervisora do Restaurante Prato Popular, Ângela Oliveira, chegam a fornecer por diariamente cerca de 330 refeições. “Como o restaurante é voltado ao público mais carente, moradores de rua, aposentados, crianças de rua, muitas vezes essa é a única refeição que eles têm no dia. A realidade é triste”, conta. Por trabalhar desde o início da implantação do restaurante, Oliveira fala que conhece a maioria dos freqüentadores e que muitas vezes eles não possuem todo o dinheiro para pagar a refeição. “ Às vezes eles não têm R$ 1,00 para pagar, mas acabamos deixando passar. Sabemos que o dinheiro deles é contado”, destaca Oliveira. Ela conta que o cardápio diário é sempre variado. “Sempre servimos arroz, feijão, um acompanhamento, carne, salada e um copo de coca-cola” explica Ângela Oliveira.

Já para a Nutricionista do Restaurante Popular de Porto Alegre, Etiene Rewell, o cardápio não é muito variado, porém é uma refeição balanceada. “Infelizmente não temos muita variedade, pois não temos muitas condições. Servimos sempre o arroz e o feijão, além de um complemento, que pode ser uma batata ou um outro legume, carne e uma salada. Às vezes não conseguimos colocar legumes todos os dias ” explica Rewell.

Diariamente a aposentada Maria do Carmo Medeiros, 73 anos, almoça no Restaurante Popular por opção e diz que. “ Por R$ 1,00 a comida é muito boa, mas bem que poderiam melhorar mais a carne, ter mais variedade.

A nutricionista ressalta que não possuem nenhum tipo de doação e que a meta é ter parceiros, como empresas e ou instituições. Segundo Rewel, a ideia é oferecer a refeição por um preço baixo e não simplesmente dar. Desta forma eles voltam a ter um papel ativo na sociedade. “Muitos vêm aqui e acham muito legal poderem pagar um almoço para um amigo. O foco do restaurante é atender as pessoas que estão a beira da sociedade, mas muitos são trabalhadores e por opção almoçam aqui”, afirma a nutricionista.

O guardador de carros da Rua Albeto Bins, Renato Alexandre da Silva, 43anos, salienta que o restaurante podia abrir aos sábados e domingos. “Seria muito bom se abrissem no final de semana e se dessem café da manhã e janta” opina Silva.

Os RP's, como são conhecidos, procuram atender prioritariamente, a trabalhadores formais e informais de baixa renda, desempregados, idosos e populações em risco social dos centros e periferias urbanas. Prestam importante serviço público para promoção do direito humano à alimentação adequada dos trabalhadores.

O total dos recursos gastos pelo Estado e pela entidade gestora somam em torno de três mil e 800 reais ao mês.

  • Restaurante Popular de Porto Alegre

End.: Rua da Conceição, nº165 – Castelo Branco

Bairro: Centro- Porto Alegre

Horário: 2ª a 6ª feira, das 11h às 14h

Preço: R$ 1,00


  • Prato Popular Restaurante Comunitário RS- Vonpar

End.: Av. Polônia com Rua Santos Dumont

Bairro: Navegantes, Porto Alegre

Horário: 2ª a 6ª feira, das 11h30 às 13h30

Preço: R$ 1,00

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Dos lampiões à eletricidade em Porto Alegre

Reproduzo aqui para vocês ,em primeira mão, a minha matéria que sai na edição de março na revista do CREA-RS.

Muitas pessoas que passam no Centro de Porto Alegre talvez nem saibam que , nos idos do século 19, a iluminação era feita por lampiões. E que , em alguma residências, isso era sinônimo de "status" , apesar da fuligem e da fedentina que esses pontos primitivos de luz exalavam na cidade.

No ano de 1830 havia uma preocupação em iluminar a Rua da Praia e outras vias importantes de da capital gaúcha. Assim, foram comprados, no Rio de Janeiro, 250 lampiões a óleo de baleia. Foram chumbados nas paredes das casas para espalharem uma luz pálida de um fumarento pavio. Os lampiões só podiam ser acesos ao anoitecer e por um encarregado da Câmara. Mas somente em dezembro de 1832 por solicitação dos cidadãos de Porto Alegre, a Presidência da Província manda estabelecer orçamento para a instalação e manutenção da iluminação pública. O óleo de baleia continuou a ser usado, mas a forma do lampião mudou, sendo que não há registros sobre a data do início da sua utilização. Na busca de melhor luminosidade, os postes tiveram sua altura aumentada. Esta e outras informações sobre a história da iluminação em Porto Alegre podem ser conferidas na exposição sensorial de percurso Viagem ao Centro da Luz, sediada no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo - CCCEV (veja abaixo dados adicionais sobre a exposição).

Segundo o historiador e doutor em História Social pela Universidade de São Paulo, Gunter Axt, em 1854, o óleo de peixe, ou de baleia, foi substituído por um sistema que queimava um tipo de gás hidrogênio, obtido a partir da água ardente. “Adaptaram-se combustores de folha de flandres aos lampiões. As coisas melhoraram com a introdução do querosene, em 1864”, completa.


Luminária a óleo de baleia da década de 1830. Fonte: Mergs.


A chegada da Iluminação elétrica em Porto Alegre

De acordo com o historiador, um banquete em homenagem ao poderoso Senador liberal Gaspar Silveira Martins, realizado no salão do Clube Comercial no dia 12 de novembro de 1887 está na história dos porto-alegrenses pela inauguração festiva do serviço de iluminação elétrica. Porto Alegre foi a primeira capital brasileira a dispor de um serviço regular de fornecimento de energia elétrica.

Conforme a historiadora e funcionária do Museu de Eletricidade do Rio Grande do Sul (MERGS) Mariana Froner Bicca, em 1874 é inaugurada a Usina do Gasômetro, por força de um contrato assinado entre o Presidente da Província e a Companhia de Gaz São Pedro Brazil Limited. O local destinava-se a produção de gás para iluminação pública que abrangia o centro da cidade. Os arrabaldes continuaram a ser iluminados com lampiões a querosene. De acordo com a historiadora, no ano de 1887 instala-se em Porto Alegre a Companhia Fiat Lux, dedicada a exploração da eletricidade, que devido a sua pequena capacidade geradora – uma usina termelétrica de 160KW- kilowatts, seu uso se restringiu ao âmbito particular (casas comerciais e particulares). A empresa trabalhava com algumas peculiaridades. "O consumidor era chamado de assinante e lhe era fornecido todo o material, inclusive as lâmpadas. O fornecimento iniciava-se ao anoitecer e mantido até às 22h no inverno e à meia-noite, no verão"\, esclarece a historiadora.

De acordo com Gunter Axt, a partir de 31 de dezembro de 1906, os consumidores passaram a usufruir do fornecimento de luz por toda noite e os contadores foram instalados nos imóveis dos clientes em 1º de abril de 1908 . Ele explica que até então, cobrava-se de todos os usuários um preço fixo. Em 1908 inaugurou-se a Usina Municipal de Porto Alegre, uma iniciativa da prefeitura que era responsável pela iluminação pública, dando inicio a substituição do gás e do querosene pela energia elétrica. Entretanto, a iluminação no Centro da capital continuava a gás e nos arrabaldes, nos bairros, era a querosene. O surgimento de uma nova tecnologia de iluminação não acarretava no descarte das anteriores, logo a iluminação era de três formas: a gás, querosene e elétrica, afirma o historiador.

Em 1929 inaugura-se o primeiro luminoso elétrico publicitário da cidade de Porto Alegre, com a inscrição Força e Luz, o qual fora destaque na edição de 2 de maio daquele ano, do jornal A Federação. “O annuncio luminoso “Força e Luz”, inaugurado antehontem, é constituído por 969 lampadas de cores branco, verde e encarnado, as quaes accendem e apagam continuamente, pelo systema corrido. Foi elle confeccionado no Rio de Janeiro, pela firma Burren & Cia., com material exclusivamente nacional, inclusive as lampadas, que são da fabrica Edison Mazda”, conforme trecho da notícia veiculada à época”, (na exposição Viagem ao Centro da Luz há uma réplica do luminoso em questão, veja abaixo).

O prédio Força e Luz, que atualmente abriga o CCCEV e o MERGS, foi construído entre os anos de 1927 e 1929 pelo Engenheiro Adolfo Stern e recebeu a inscrição Força e Luz na fachada, em 1929. Nesse mesmo ano o prédio passou a abrigar a Companhia de Energia Elétrica Riograndense (CEERG), empresa de capital estadunidense, que recebeu a concessão dos serviços de energia elétrica na capital gaúcha. Na vitrine do prédio, eletrodomésticos eram expostos para estimular o consumo, principalmente entre as donas de casa. A CEERG estava ligada a Companhia Brasileira de Força Elétrica, instalada no Rio de Janeiro e pertencente à American & Foreign Power Co. (Amforp), do grupo da Eletric Bond & Share Corp. Da década de 70 até o ano de 1998, o prédio operava como agência de pagamentos de contas de luz e abrigava serviços administrativos da empresa, tendo retomado seu funcionamento após a reciclagem do edifício, em 2002.


Imagem original da antiga vitrine da CEERG Fonte: Mergs.

Segundo o Eng. Eletricista e professor e doutor pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luiz Tiarajú dos Reis Loureiro, em 1943, a Comissão Estadual de Energia Elétrica (CEEE) foi criada para estudar novos aproveitamentos energéticos. A conversão de frequência de 50 para 60 Hz, ocorrida na década de 70, possibilitou a interligação do RS com o restante do país e o aproveitamento do regime de chuvas complementar entre as regiões Sul e sudeste. Conforme o professor, o desenvolvimento da indústria da energia elétrica no RS possibilitou maior qualidade para a população. “A energia elétrica contribuiu para o aumento da qualidade de vida, a fixação de agropecuaristas no campo e para surgimento de diversos ramos de indústrias de transformação no Estado”, explica.

Curiosidades
  • Acender os lampiões nas ruas era um trabalho tão demorado que, conta-se que, quando o encarregado terminava de acender o último lampião, já iniciava o desligamento dos primeiros, pois o dia já amanhecia.

  • O horário de verão passou a ser adotado após o racionamento de energia elétrica que ocorreu em 1986.
  • O racionamento de energia de 1968 foi realizado com cortes no fornecimento que deixavam extensas regiões do Estado no escuro.

  • Em 1937, foi colocada a chaminé na Usina do Gasômetro, depois de reclamações da população contra a fuligem e cinzas lançadas pela Usina. Em 1974 ela foi desativada e em 1983 o prédio foi tombado pelo patrimônio histórico.

  • No Calçadão da Rua da Praia, em 1970, foram instaladas várias luminárias decorativas. Elas foram o reflexo da “onda de modernidade” que tomou conta do Brasil naquela época. Hoje, podemos ver que a iluminação é feita por postes de 10 metros e lâmpadas a mercúrio ou sódio, bem diferente do que era antigamente.

Exposição no CCCEV

A exposição sensorial de percurso Viagem ao Centro da Luz, é realizada pelo Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) e Museu de Eletricidade do Rio Grande do Sul (MERGS) e tem patrocínio do Grupo CEEE. Mostra a história da iluminação e outras curiosidades do bairro mais antigo de POA, o Centro Histórico, tais como a primeira sala de cinema com programação fixa da cidade, o Cine Recreio Ideal, de propriedade do advogado Francisco Damasceno Ferreira (1875-1953), o saudoso Clube dos Caçadores, a Companhia de Energia Elétrica Riograndense e o Mercado Público.

Com duração de 30 minutos, cada itinerário monitorado ocorre em intervalos de 45 minutos e comporta um grupo de até 12 visitantes. O público excedente deve retirar senhas no local para acompanhar o próximo contingente da visita guiada. A exposição fica no CCCEV até maio deste ano. O horário de visitação é de terça a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 11h às 18h. Mais informações no telefone (51) 3226-7974, nos e-mails museu@ceee.com.br e cultural@ceee.com.br no site www.cccev.com.br e no blog http://cccev.blogspot.com.


Quem quiser conferir: www.crea-rs.org.br

Por Vanessa Schneider